Sociedade de Terapia Breve

Instituto Brasileiro de Programação Neurolingüística

Artigos e Modelos

Caixa de texto: O CIÚME
Mauricio de Souza Lima

O ciúme pertence ao grupo das emoções que regulam relações interpessoais, pessoa a pessoa. Neste mesmo grupo estão a inveja, o ódio, a mágoa e o sentimento de rejeição. O amor e a amizade também são parte desse conjunto tão importante de sentimentos.
Para compreender o ciúme será necessário desviar o foco do indivíduo para a relação. Focalizando apenas o indivíduo ciumento, tenderemos a achá-lo ilógico, possessivo, inferiorizado, neurótico ou doente. Entretanto, se levarmos em conta o fato de que o ciúme visa regular a relação entre duas pessoas, não será suficiente observarmos apenas uma. Precisamos levar em conta o fato de que a outra pessoa, objeto do ciúme, também está respondendo emocionalmente. É a relação, como um todo, que está desajustada, não simplesmente uma pessoa. A regulação da relação ou o seu desajuste dependem de como as pessoas respondem uma à outra, não simplesmente do que acontece com cada membro da relação. Em uma linguagem mais técnica, podemos dizer que a relação é regulada por feedback. Uma resposta emocional inadequada desequilibra a relação, enquanto outra resposta mais adequada pode devolver o equilíbrio.
A função essencial do ciúme tem a ver com o risco da relação afetiva. Todo ciúme começa pela avaliação de algum dos riscos a que a relação possa estar exposta. Uma avaliação de risco sempre pode ser feita e não há nada de certo ou de errado nisto. Nossa mente inconsciente aciona os seu alarme para alguém que está trabalhando demais, ou que está usando uma roupa mais sexy,  ou que está interessado demais no computador, ou que sorriu mais afetuosamente para alguém. A avaliação origina o sentimento de ciúme que vai comunicar ao outro a possibilidade da ameaça afetiva.
De um modo geral, como respondemos ao ciúme? Existem as piores e as melhores respostas. As melhores respostas aceitam o sentimento de ciúme do outro, de modo a que as duas pessoas possam discutir juntas a real possibilidade do risco da relação. Isto geralmente produz um clima de concordância em que as pessoas refletem sobre si mesmas e rearranjam as coisas para que continuem a viver um bom relacionamento afetivo. As piores respostas começam pela rejeição do sentimento de ciúme. A pessoa objeto do ciúme fica ofendida e responde com mágoa. Isto faz com que a pessoa que manifestou o ciúme tenha o seu sentimento aumentado de intensidade pela confirmação do risco do relacionamento. O ciúme mais intenso gera maior mágoa no outro que responde ainda mais ofendido. Este clima emocional de ciúme e mágoa cresce como bola de neve e torna a relação muito difícil. Entretanto, é o equilíbrio da relação que está em jogo, não necessariamente a sanidade das pessoas. As duas possibilidades de resposta geralmente fazem a diferença entre o céu e o inferno.
Tem solução? Uma relação de ciúme e mágoa, como a que está descrita acima, pode começar com um pequeno incidente e evoluir ao longo dos anos. Quando as pessoas procuram ajudas para si mesmas individualmente, não têm muito sucesso. O ciúme que fosse curado em uma pessoa renasceria a partir da mágoa não curada do outro e vice-versa. É necessária uma aceitação profunda do próprio sentimento e do sentimento do outro, antes que se possam mudar as respostas que vão equilibrar a relação. As pessoas deverão aprender a considerar com naturalidade os riscos do relacionamento sinalizados pelas emoções. Então, o ciúme e a mágoa serão tão bem aceitos quanto o amor de que são os guardiões.
Caixa de texto: A INVEJA
Mauricio de Souza Lima

A inveja, como o ciúme, pertence ao grupo das emoções que controlam relações interpessoais. Junto com o ciúme, com a mágoa e com o ódio, ocupa o posto das emoções mais condenadas, mais execradas e mais negadas da nossa cultura. Chega-se a dizer que a pessoa invejosa transmite maus fluidos e que, assim, prejudica e atrasa a vida da pessoa invejada! Quase ninguém consegue reconhecê-la em si e, se reconhecer, não a confessará. Quem a confessar ou a expressar de qualquer modo não será visto com bons olhos. Tal pessoa será rotulada de errada, inadequada, neurótica, doente, maléfica e até pecadora. A própria raiz latina da palavra invidia significa “o que tem mau olhado” em relação ao outro. Muitas religiões, incluindo o cristianismo, a consideram pecaminosa.Talvez seja esta a razão da grande incompreensão que rodeia este importante sentimento.

Emoções não são feitas de fluidos ou de energias ruins do organismo ou da pessoa. Não são humores. São processos reguladores das relações. Sendo assim, podemos afirmar que não pertencem simplesmente ao indivíduo, mas à relação em que duas ou mais pessoas estão envolvidas. Será preciso compreender plenamente o que ocorre na relação entre o invejoso e o invejado. A admiração pelas prerrogativas, posses, recursos e talentos do outro precede a inveja. Depois de admirar, passamos a querer o mesmo para nós. Este é o critério da inveja: o desejo de possuir o que o outro tem.

A inveja, como todas as outras emoções, tem a função de regular a relação e, portanto, deve ser compreendida na relação do invejoso com o invejado, não simplesmente em um indivíduo. A rigor, não existe erro em se desejar o que o outro tem, mas tudo vai depender da resposta que o invejoso obtém da pessoa invejada e dos demais membros do grupo.

Em geral, temos dois padrões extremos de resposta à emoção do outro, quando é direcionada a nós. Por um lado, podemos reconhecer plenamente o sentimento do outro, para aceitá-lo e lidar com ele com profundo respeito. A resposta coerente com o acolhimento da emoção do outro tende a preencher o critério do outro, deixando-o satisfeito. Outra característica desse padrão de resposta é a de fazer com que a relação recupere o equilíbrio, deixando as pessoas bem uma com a outra. Por outro lado que, infelizmente, segue o padrão o mais comum, tendemos a rejeitar o sentimento do outro, reprovando-o e comunicando à pessoa que ela está errada em sentir-se com se sente. Este padrão de resposta, ao desconsiderar o sentimento do outro, desequilibra ainda mais a relação, aumentando consideravelmente o mal-estar de todos os membros do grupo. Quando respondemos do primeiro modo, certamente estamos respondendo com amor, com aceitação plena da pessoa e de seus critérios. Do outro modo, estamos respondendo com culpa e com rejeição pela pessoa, de seus critérios e de suas possibilidades de crescimento.

Responder à inveja com amor equivale a dizer à pessoa invejosa que ela tem razão em querer progredir, em querer expressar seus próprios talentos, em querer buscar suas próprias oportunidades na vida. Algumas vezes poderá ser necessário dizer a ela que nada é assim tão garantido e que todos podemos perder o que temos. Quando nos sentimos culpados diante da inveja do outro tendemos a comunicar à pessoa que ela não merece ter o que temos, por que não ter sido dotada com o talento ou por não ter lutado o bastante e que deveria buscar a cura por sua emoção doentia. Que deveria conformar-se com o seu pequeno valor, com seus parcos recursos. A repetição dessa resposta fará com que a pessoa invejosa desista da realização do seu desejo e passe a querer que quem a responde assim venha a perder o que tem.

Quem tem medo da inveja? A pessoa que não reconhece o direito de auto-realização das outras pessoas tende a ter medo de perder o que tem e a incomodar-se com as posições invejosas. Sente-se culpada do que tem e fica desconfortável em ser admirada. Este é um problema de nossa terra Brasil, de tal forma penhorada na desigualdade, que vergonha nos causa falar do que temos, divulgar nossos talentos, dizer quanto ganhamos e, talvez, cantar o Hino Nacional.

Quando encontrar a pessoa invejosa, trate-a com carinho. Reconheça que, no fundo, ela te admira. Converse com ela sobre os seus próprios talentos e potencialidades e sobre o seu direito de se realizá-los. Conte a ela da sua possibilidade de perder o que tem. Acolha-a calorosamente. Convide-a para jantar. Tratá-la assim vai ser bom para ela, mas, principalmente, vai ser muito bom para você.
Caixa de texto: Aplicação da PNL em Relacionamentos

O curso de desenvolvimento gerencial “A Gerência Baseada em Relações” nasceu do atendimento individual a gerentes, diretores e empresários e também do atendimento a pais e mães.
A necessidade de fornecer ferramentas para os pais lidarem com seus filhos é a mesma de fornecer instrumentos para gerentes lidarem com os executantes. A empresa, como a família, tem se mostrado carente de princípios organizacionais básicos e de estratégias eficazes para relacionamento humano.
A metodologia consiste em reunir pessoas de vários níveis gerenciais em um grupo para fornecer-lhes todos os instrumentos e estratégias para lidarem com problemas de relações. Os resultados têm sido ainda melhores do que o do atendimento individual, uma vez que o curso permite a apresentação de todas as ferramentas didaticamente organizadas em forma de oficina.